Pode ser que eu não mereça tanto, na verdade, eu ainda não consigo entender o que fiz pra merecer você.

Recordo-me perfeitamente do dia em que te conheci. Lembro de respirar fundo e olhar no espelho para conferir se o meu visual estava pelo menos agradável. Eu estava simples. Sem salto e sem maquiagem. Cabelos presos em um rabo de cavalo alto e com um vestido levemente florido. Coloquei meus fones de ouvido com minha música preferida antes de sair de casa e trancar a porta.

Lembro de chegar ao café ao meio-dia à procura de uma mesa. Acabei me sentando em um banco alto em frente ao balcão e pedindo apenas um lanche. Estava faminta. Meus pensamentos estavam voando para bem longe dali. Ainda não acreditava que eu tinha criado um pouco de juízo e resolvido dar um pé na bunda do meu namorado. Ele me prendia de tal forma, que eu já estava duvidando até de quem eu era.

Até que eu te conheci. Ali, naquele café, eu vi minha vida recomeçar. Quando vi você sentar ao meu lado, eu não liguei muito. Continuei a dar breves goles em meu suco. Mas você, descontente por eu não te dar a devida atenção, acabou puxando assunto comigo. E eu comecei a prestar atenção em você.

Seus cabelos acobreados e revoltados atraíam meus olhares cada vez que você passava a mão. Sua voz grossa arrepiava da ponta dos meus dedos até o último fio de cabelo. Sua risada de menino levado iluminava meu coração mesmo achando um pouco estranho você gostar das minhas piadas sem graça. O mais curioso de tudo isso, foi o seu olhar para mim. Você me olhava como se eu fosse a pessoa mais incrível e maravilhosa que você já tinha conhecido.

Continuo achando que eu não mereço tanta atenção. Ou você. Mas é impossível recusar o amor de uma pessoa que gosta de mim pelo que eu sou, e não pelo que eu tenho. Agora eu sei. Ele nunca foi alguém em minha vida. Já você, é tudo para mim. 



As batidas incessantes da música se misturavam com as batidas aceleradas do meu coração. A cada degrau que minhas pernas trêmulas subiam, a pressão em minha cabeça ficava cada vez maior. Mas que bobeira minha. É só ele ali, querendo sua companhia para buscar algo em outro ambiente. Porém, eu não conseguia deixar de ficar nervosa. Eu sabia o que iria acontecer.

Acho que nem quando eu dei o meu primeiro beijo fiquei tão nervosa quanto naquele momento. Foi uma coisa de segundos, mas para mim, durou como se fosse a eternidade. Ainda dura, na verdade. Suas mãos em minha nuca ainda me causam arrepios quando lembro. Confesso que naquela noite, quando cheguei em casa e deitei minha cabeça no travesseiro, repassei todos os momentos em minha mente. Você me deixa totalmente tonta, fora de órbita. A cada dia venho descobrindo coisas a seu respeito que me fazem gostar mais de você. Muitas coisas.

Gosto do seu cheiro que parece estar impregnado em minha pele, já que eu sinto seu perfume em tudo que é canto. Inclusive naquele chaveirinho de pelúcia que você comprou para mim. Eu amo aquele chaveiro. Gosto do jeito que você me trata. Da maneira que você conversa comigo, seja pessoalmente ou pelo celular. Gosto do jeito que você fica irritado com minhas perguntas idiotas e piadas sem graça, mas eu faço isso só para você gostar um pouquinho mais de mim. Quando você sempre termina o beijo com um selinho e depois beija a minha bochecha. Gosto do fato de não termos praticamente nada em comum e ao mesmo tempo nos entendermos tão bem. E gosto principalmente de você gostar de mim do jeito que eu sou.

Eu acho que gosto de você de um jeito que nem se eu quisesse, conseguiria explicar tudo o que sinto.

Eu poderia passar mais algumas horas só falando o que eu gosto em você. Ou poderia falar pessoalmente, mas isso, até você sabe, eu não teria coragem de fazer. Você é especial. Sabe disso. Por isso, eu quero ir devagar. Até mesmo para entender tudo isso que eu estou sentindo aqui dentro de mim. Quem sabe um dia você não tenha sorte de ouvir tudo isso com mais clareza? Por enquanto, se você quiser, eu vou continuar aqui, tentando te dizer com algumas frases, tudo o que gosto em você.



Eu gosto da linha reta cinza no seu joelho quando você coloca a calça de moletom leve. É ali que você deposita o pedaço esquerdo do seu queixo pra descansar o pensamento num gesto mais antigo. Eu gosto como as sobrancelhas tentam, apesar do momento garoto, voltar à posição ereta de quem já sabe alguma coisa. Então fica a briga do peito sobre a perna e da sobrancelha sob o mundo. No meio de tudo isso você me olha reto, direto, verde, largo. Eu chamo de azul e você briga comigo.

Eu gosto das possibilidades da sua testa. Quando seu cabelo sujou um pouco, no fim do dia, e fica um topete meio duro pra cima. E dai você é um elevador de pensamentos que cutucam como lanças de brinquedo, a voz meio abafada querendo controlar alguma sinceridade muito alta. Sua loucura chega em frases muito curtas e com a desculpa de ser uma graça. Logo depois é como o calor que cessa no fim de tarde. O banho derruba a poeira do seu dia e agora a franja fica mais próxima dos seus olhos. Você é bonito demais para alguém que pensa tanto e é quase injusto pro mundo existir alguém com tanto das duas coisas que só se tem muito de uma só.

Eu gosto de olhar sua mão enorme e pensar que você poderia me tocar mesmo que eu tivesse num quarto só meu e bem longe de um quarto só seu. O tamanho da sua mão viola meu espaço com respeito.

Eu gosto das quatro manchas vermelhas que eu deixo no seu pescoço só porque encostei o lábio. Eu gosto da sua falta de mira pra sujar a minha barriga. Eu gosto da linha infinita que vai de uma ponta de ombro até a outra ponta. Eu gosto da linha infinita que vai do seu calcanhar até o osso da bacia. Seu rascunho é o desenho de um estilista gay desejando uma mulher.

Eu gosto quando você lá das alturas me abraça e parece pequeno. Eu pergunto o que é isso que deixa seu rosto tão interessante e você explica que é mistura de italiano com gente do mato. Não tem nada de alemão? Você ri. Você sempre ri quando me aproximo demais de algo que talvez nem exista. E logo depois fala algo bem íntimo que nem era a hora. Eu gosto que você se esconde na esquina entre meu olho e meu nariz e o seu mistério não me dá aquele medo errado.

Eu gosto que todas as suas roupas são azuis mesmo não sendo. Eu gosto do seu armário de madeira que não é madeira e que combina com a escrivaninha e com a cabeceira da cama. Eu gosto do seu travesseiro com um desenhinho. Eu gosto da palma do seu pé e sei que essa frase está errada. Eu gosto que o lábio inferior desaparece um pouco quando você diz uma ironia ou quando acha que é gostoso. Eu gosto que você explode sem perder um ponto sereno e intocável nos olhos, como se nada estivesse acontecendo. Eu gosto que quando nada está acontecendo seus olhos não perdem um brilho de dor. Eu gosto que você não sabe se sabe cuidar mas queria ajudar a menina passando mal no avião.

Tem dez minutos que acordei e já gostei de você um milhão de vezes hoje. Eu gosto que você é um começo daquele tipo de flor que dispara em mim o regador assassino de um milhão de gotas d’água. Mas eu gosto mais ainda de um arco-íris pixelado que me cumprimenta discretamente da janela, como se existisse a esperança de uma planta esperta que não fica propositalmente distraída, de boca aberta, pra ser cúmplice do meu medo.



No meio de um turbilhão de emoções e sentimentos, você chegou assim do nada. Meio que de repente, sabe? Agora, enquanto observo o cursor piscar, eu penso em alguma forma de começar esse texto e transformar em palavras tudo o que eu estou sentindo.

Aconteceu tão rápido que eu nem sei como isso começou. Eu sou o tipo de pessoa que pensa bastante antes de fazer, falar e até sentir algo. Mas certas coisas são simplesmente não tem explicação. Acontecem quando precisa acontecer. Sem mais nem menos. Só... acontece.

Você me abraça forte toda vez que me encontra e ultimamente eu só tenho torcido para que esse abraço dure por mais cinco segundos, só para eu aproveitar mais um pouco. Eu sorrio envergonhada, esperando você fazer alguma piadinha, que mesmo sendo sem graça me faz rir.

Todos os dias, eu aguardo ansiosamente pela hora em vou mandar uma mensagem para você e te perturbar pelo resto do dia. Até o momento em que você vai se irritar e me mandar parar. E eu vou parar, porque é assim que eu sou. Mas não se preocupe, eu farei isso no dia seguinte.

Eu penso em provocar algo que não sei se quero. Não sei se vou aguentar mais alguém virando a cara para mim por motivos tolos. Então prefiro ficar assim. Sem fazer nada e nem tentar nada. É mais fácil para mim, para você e para todos em volta.



Tudo passa. Hoje eu sei disso. Não vou dizer que eu já não penso mais em você, porque estaria mentindo. Mas hoje, você só é uma lembrança de como foi bom enquanto durou. Uma lembrança que só vem de vez em quando para me atormentar.

Agora eu só quero ser feliz. Pensar mais em mim. No que eu quero para a minha vida. No meu futuro. É só o que me interessa. Parei de correr atrás de alguém que não dá valor. Eu quero gostar de alguém que goste de mim de verdade. Ou melhor, talvez eu até esteja gostando. Quem sabe?

Quero alguém que não tenha vergonha de mim. Que ria da minha cara e das minhas maluquices. Que me faça ser uma pessoa melhor e mais leve. Ser apenas eu. Quero uma pessoa que acima de tudo, seja meu amigo e que me apoie sempre que eu precisar.

Dessa vez, eu vou tentar não errar ou meter os pés pelas mãos. Deixarei acontecer naturalmente. Não vou fazer alarde nenhum. Vou continuar a mesma e guardar o que sinto para mim. Prefiro assim. Não quero fazer papel de boba novamente. Parei de sofrer pelos outros. Agora irei pensar em apenas uma pessoa. Só em mim.




Respire fundo. Abra a porta. Saia de casa. Não tenha medo. Caminhe pelo seu bairro. Ou simplesmente ande por aí. Sem direção. Tente não pensar em nada. Mas você sabe que é impossível não pensar em nada. Sabe que é impossível não pensar nele. Ele sempre estará em seus pensamentos.

Vá até aquele bairro. Onde todas as pessoas tiram o final de semana para se reunirem. Como se não quisesse nada, passe em frente aquela casa. Sim, essa de cor estranha. Olhe em volta para ver se não tem ninguém por perto. E finalmente, toque a campainha.

O nervosismo vem com tudo. Suas mãos tremem. Porém, tudo volta ao normal quando ele abre a porta. Com aquele sorriso de menino inocente, mas você sabe que de inocente ele não tem nada. Todas as coisas que ele falou te provam isso.

Ele te abraça apertado e lhe dá um beijo demorado no rosto. Apenas isso faz você ganhar o dia. Eles começam a conversar. Coisas banais e sem nexo. A saudade que ela sente é enorme. Sua vontade é de pular em seus braços e distribuir pequenos beijos pelo seu rosto. Mas ela se controla.

Já ele, simplesmente não sente nada. Talvez nem ele saiba o motivo de estar ali. No entanto, ele desfruta da companhia que a garota oferece. Os dois não combinam nem um pouco. E nunca vão combinar. Mas ela ainda acredita naquela frase: “Os opostos se atraem”. E é assim que ela vai vivendo todos os dias. Acreditando que ele irá acordar e gostar dela do mesmo jeito que ela gosta dele.



Eu vejo uma garota triste. Profundamente triste. Que não consegue rir de verdade há muito tempo. Uma garota frágil que só quer sumir do mapa. Para sempre, se for possível. Eu vejo uma garota que foi iludida várias vezes, mas nunca ficou tão machucada quanto agora.

Eu realmente vejo uma garota que deita para dormir e quando vê, está chorando há horas. Por qualquer e nenhum motivo. Que está cansada demais para se levantar e seguir em frente. Tudo o que ela quer fazer é se enrolar em um cobertor e ficar vendo a vida passar. Ela não quer mais se doar aos outros quando sabe que ninguém vai retribuir o favor. Uma garota que está literalmente sozinha no mundo.

Eu enxergo uma garota que confiou nas pessoas erradas. E agora está profundamente arrependida por ter começado tudo aquilo. O que só aumenta sua tristeza. Ela é apenas uma menina que quase nunca sabe o que dizer, como se portar ou que fazer diante de seus amigos. Uma garota que está triste consigo mesma por ainda acreditar que exista pessoas que se importam com os sentimentos das outras.

A cabeça dói tanto. O coração está tão apertado. O nó na garganta está sufocando-a tanto, que está ficando difícil de respirar, engolir e até falar. Eu vejo uma garota implorando para ser feliz. Esse é o único e simples pedido que ela faz todo dia ao acordar. Ser feliz. Será que é tão difícil assim?



Você poderia ser tudo para mim. Sabe disso, mas insiste em não ser nada. Você já me falou várias e várias vezes que não quer nada sério. Que só quer curtir sua vida. Eu entendo. Eu também queria isso. Até conhecer você.

Eu gosto de você. Muito. Já falei isso para você. No entanto, parece que você não liga. Ou pelo menos finge não ligar. Está bastante complicado para mim. Você não sabe o quanto. Queria te contar isso pessoalmente. Para poder olhar em seus olhos. Mas não consigo.

Estou diferente. Simplesmente mudei. Não sei se foi para melhor. Espero que sim. Porém, de uma coisa eu tenho certeza. Foi o que eu sinto por você que me fez mudar. Eu sorrio mais. Converso mais. Arrumo-me mais. Sonho mais. Tudo mais.

Quando você chega perto de mim, eu me esquento toda. Fico envergonhada com tudo o que falei para você. Fico com vergonha de mim mesma por gostar tanto de você. Eu sei que para você isso não é nada. Mas para mim isso é tudo.

Eu nunca senti isso por alguém antes. Em algum momento eu acho que sou correspondida. Já em outros, parece que você nem liga para mim. Odeio ficar correndo atrás de alguém. Implorar por atenção. Contudo, você me virou do avesso e hoje estou assim, correndo atrás de uma pessoa que não quer nada comigo.

Quem diria que eu fosse ficar tão afim de você. Que eu fosse me apaixonar por você. Eu quero ficar com você. Eu quero você. Só você. 




São três da manhã e estou relembrando de todas as nossas conversas jogadas fora. Chorando ao perceber que eu não conseguirei ser nada além de uma amiga. Não é culpa sua. Eu que sou idiota por achar que iria querer algo com alguém como eu. Ninguém quer. Por quê justo você me escolheria?

Já era para eu ter me acostumado a quebrar a cara. Afinal, essa não vai ser a primeira nem a última vez que alguém me decepciona. E por incrível que pareça, não foi você quem me decepcionou. Eu estou decepcionada comigo mesma. Com raiva. Estou triste por um dia ter acreditado que você poderia gostar de mim da mesma forma como eu gosto de você. Pelo menos um pouquinho.

Você não me faz mal. Muito pelo contrário. Por mais contraditório que seja, o aperto em meu coração e o nó em minha garganta, não é nada perto do sinto por você. Eu não vou te esquecer tão cedo. Apenas terei que me acostumar com o que você pode me oferecer.

Não sei se algum dia você irá ler isso aqui, mas se acontecer, nunca duvide do que eu senti por você. Esse amor que mora dentro de mim e que não vai sair tão cedo. Eu só quero que você saiba o quanto foi especial para mim. O quanto eu cresci durante esses poucos meses.

Para você eu falei coisas que eu nunca imaginei falar para alguém. Você sabe dos meus segredos mais profundos. Dos problemas que eu passei. Se eu parar para pensar, você sabe mais coisas sobre mim do que minha própria mãe sabe. Porque eu confio em você. Desde o início. Porque sempre foi você. Sempre vai ser.